O que mais simboliza o regime híbrido da China, de ditadura capitalista é a censura que o politiburo mandarim impõe à rede mundial de computadores. Nesse ponto eles não tergiversam: nem mesmo a rentável Google tem espaço naquele país, pois que faz circular a informação sem os grilhões ideológicos. A internet pode ser considerada também a marca do avanço tecnológico que torna a globalização do planeta cada vez mais irreversível e viável. Com ela mudamos até o paradigma de tempo: uma cansativa e impaciente espera de alguns minutos para se completar uma ligação telefônica, é hoje uma angustiante demora de frações de segundos para nos conectarmos com o mundo. As vantagens são incomensuravelmente maiores que os riscos - preveníveis estes, na medida em que se apresentam: a internet nos força à autenticidade, à franqueza, à naturalidade e espontaneidade. Qualidades cada vez mais valorizadas e buscadas nos políticos, notadamente pela sociedade que sonha e luta por um exercício político a cargo de pessoas de ficha limpa. Repudiamos, por solidariedade, a censura à internet e à liberdade de expressão e de formação imposta ao povo chinês. Não admitimos quaisquer vestígios desse comportamento aqui no Brasil. Vestígios, por exemplo, como o de Dilma, a candidata do PT de Marco Aurélio Garcia, o mentor da desastrada política externa de Lula. Não há como se relacionar na rede com interlocutores previamente selecionados. A ex-ministra que nos desculpe, mas a preocupação de Lula e do PT com a sua candidatura torna-se cada vez mais procedente. E a máscara cai na velocidade de uma conexão de banda larga. É mais uma alopragem que ela terá que justificar, para os seus, e para o país, já pasmo diante o que ela já vem protagonizando. É por isso que o debate sobre o "marco civil da internet merece a máxima atenção de todos. A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados vai promover, possivelmente na próxima semana, debate sobre a legislação que vem sendo urdida no Ministério da Justiça. Aliás, e mais um desvio de função. O plano nacional de banda larga é discutido e escrito na Casa Civil; a legislação sobre internet no Ministério da Justiça. Para que serve, então, o Ministério das Comunicações? Pois bem, no marco civil da internet já foi identificado o dedo do censor. Sem a Lei de Imprensa, quer o Ministério da Justiça instituir a função do dedo-duro: que se achar ofendido tem o direito de exigir a retirada do que considera ofensa do ar, sem precisar recorrer à Justiça. O provedor que não cumprir o determinado é que estará em apuros. Pelo que todo o país pode ver no lançamento de seu site "pessoal de campanha, para Dilma a censura, a seleção de informações, a seleção de perguntas é muito natural. O que lhe parece estranho é a inerente convivência da mais fina tecnologia das telecomunicações com a democracia. Este o risco: o PT de Dilma age tal como hacker nos fundamentos da nossa democracia. Paulo Bornhausen é deputado federal (DEM-SEC) e líder do Democratas na Câmara dos Deputados
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